terça-feira, 21 de agosto de 2007

O Brasil dá as cores, mas o Haiti é que deve pintar



Texto: Fabiana Bastos
Fotos: Camila Mel

Para onde vai o Haiti? Ou melhor, para onde o Haiti quer ir? A situação atual do país é crítica, seu IDH(Índice de Desenvolvimento Humano) encontra-se entre os mais baixos do globo, superior apenas a alguns países do continente africano.

A missão de paz brasileira no território, quinta a ser promovida pela ONU(Organização das Nações Unidas), começa a mostrar os primeiros passos de sucesso.
“O Haiti é um país cinza”, esta foi a declaração de Odival Reis, repórter fotográfico que já viajou duas vezes ao Haiti, durante o BandDebate ocorrido na última sexta-feira, dia 17, no Colégio Bandeirantes.

Se antes, no séc. XVII, o país era um dos grandes exportadores de açúcar e outros produtos tropicais, hoje é um território ocupado pela miséria. Dos 8 milhões de habitantes, 80% está a baixo da linha de pobreza. Dentre o conjunto de problemas que cercam a nação destaca-se a falta de higiene sanitária. Antes da intervenção brasileira, pouco se sabia sobre coleta de lixo; há casos em que os restos alcançavam praticamente três metros de altura.

O cheiro de urina, apesar de extremamente desagradável, tornou-se o odor típico do Haiti atual - seja pela falta de conhecimentos básicos de higiene por parte da população ou pela ausência de um sistema sanitário apropriado. Quase todo o esgoto corre a céu aberto sob temperaturas ao redor de 40ºC – a verdade é que, além do cheiro incômodo, a urina pode desencadear uma série de doenças e epidemias.

A influencia brasileira, contudo, parece estar surtindo efeitos. Outras missões de paz tentaram ajudar o país, mas pouco conseguiram de fato. A missão do Brasil difere-se das outras, pois é a primeira multilateral. Os objetivos das missões de paz enviadas pela ONU sempre foram de garantir que a paz, já alcançada, fosse mantida, no entanto no caso particular do Haiti ocorreu que a paz ainda não havia sido estabelecida.



Forças militares, no primeiro momento que tiveram de enfrentar uma situação crítica, perceberam que seus treinamentos pouco adiantariam naquele instante. O Brasil, com isso, investiu em uma série de mudanças nas instruções dadas aos militares, para que assim conseguissem se adaptar, de uma maneira mais próxima, à realidade haitiana. Entre as conquistas brasileiras, está a pacificação de duas das maiores favelas do território, na qual foi utilizada uma nova técnica de “pontos fortes”, ou seja, tinham a meta de obter lugares influentes e através deles aumentar o número de patrulhas pelo ambiente, fazendo com que a criminalidade migre.

A ajuda brasileira promove benefícios ao povo do Haiti, todavia é preciso que este perceba quem é o verdadeiro responsável para garantir o futuro do país: a própria população haitiana. É evidente que a ONU fornecerá toda a ajuda possível, mas é preciso que os haitianos lutem por aquilo que lhes foi tirado, como comida, saúde, educação e, principalmente, lutem pela vida.

3 comentários:

Anônimo disse...

acho que esse texto trás alguns exemplos que só poderiam ser relatados por pessoas que estiveram no Haiti e isso foi um dos pontos fortes do encontro

Anônimo disse...

Acredito que o texto tenha abordado aspectos que fornecem uma idéia bastante visívil do Haiti. Principalmente para leitura daqueles que não conhecem a respeito do Haiti, como é o meu caso, adorei ler o texto que,inclusive, também fornece uma leitura extremamente agradável.
Juliana - Advogada

Anônimo disse...

Gostei do texto, teremos outros debates, que temas?? quando?? Teremos que pegar senha?