O primeiro BandDebate contou com a cobertura de alguns estudantes de humanas, que produziram textos e fotos sobre os convidados de "Pra onde vai o Haiti?".
Confira:
Quem se interessa por um país cinza?
Texto: Juliana Kalil Gragnani
Fotos: Camila Mel

Dinâmico, como não poderia deixar de ser com a presença de jovens, a primeira edição do BandDebate teve o Haiti como tema abordado. Na sexta-feira, dia 17, os convidados Ricardo Ishi, ex-aluno do Band e médico voluntário da ONU no Haiti, Luiz Miguel Kawaguti, jornalista e autor do livro A República Negra, além de Odival Reis, fotógrafo, cujo trabalho ilustra o livro de Kawaguti, responderam a pergunta “Para onde vai o Haiti?”, além das várias outras indagadas por alunos do Band.
País mais pobre das Américas, o Haiti recebeu as tropas da MINUSTAH, operação de paz da ONU estabelecida desde junho de 2004. A maioria dos soldados dessa missão de paz é brasileira, nacionalidade mais aceita pelos haitianos, por acreditarem que ambos são “vítimas” da colonização, de acordo com Ishi. No país, os brasileiros trabalham para cumprir o principal desafio: a instauração de paz e democracia. No entanto, embora enfrentem dificuldades que vão desde a coleta de lixo, a qual não é realizada no país, até o apaziguamento de conflitos entre gangues, não há um fiel retrato disso mostrado pela mídia. A cobertura feita pelos veículos de comunicação deixa a desejar inclusive na investigação do que acontece com o dinheiro que vai para o Haiti, tema que deveria ser de extremo interesse mundial.
Há inúmeras discussões, principalmente na ONU, acerca do respeito aos direitos humanos. Mas quem se preocupa com os haitianos e seus direitos? Educada por meio de um sistema arcaico, em que se pode usar violência para castigar alunos, a população haitiana somente recebe dinheiro de seus parentes que trabalham nos Estados Unidos. A mão-de-obra, no Haiti, é muito barata e a jornada de trabalho, alta. Vivem em um país onde não há mais floresta e portanto, há escassez de água. O povo pede dinheiro à ONU, cujos investimentos em programas como a UNESCO e UNICEF são indiretos e muitas vezes, não saem do papel. Segundo Reis, o povo é preguiçoso e o país, cinza.

Kawaguti, um dos poucos jornalistas que se interessaram de fato pela situação haitiana, declara, “Pouca gente sabe o que vai ser do Haiti”. A afirmação do jornalista, cuja obra concorre ao prêmio Jabuti, é alarmante. Não há dúvidas de que os soldados da MINUSTAH esforçam-se para ajudar a reconstruir o decadente país. Contudo, a falta de perspectiva no que diz respeito a seu futuro deveria preocupar o mundo inteiro e não somente quem presencia os conflitos bélicos e o cheiro de urina que se inala nas ruas.
Quando indagado para onde iria o Haiti, Odival Reis respondeu, “Para onde qualquer povo que não cuida do país vai. Para o fundo do poço.” Se não houver interesse mundial, os haitianos não farão nada além de esperar o cumprimento do prognóstico de Reis.
Confira:
Quem se interessa por um país cinza?
Texto: Juliana Kalil Gragnani
Fotos: Camila Mel

Dinâmico, como não poderia deixar de ser com a presença de jovens, a primeira edição do BandDebate teve o Haiti como tema abordado. Na sexta-feira, dia 17, os convidados Ricardo Ishi, ex-aluno do Band e médico voluntário da ONU no Haiti, Luiz Miguel Kawaguti, jornalista e autor do livro A República Negra, além de Odival Reis, fotógrafo, cujo trabalho ilustra o livro de Kawaguti, responderam a pergunta “Para onde vai o Haiti?”, além das várias outras indagadas por alunos do Band.
País mais pobre das Américas, o Haiti recebeu as tropas da MINUSTAH, operação de paz da ONU estabelecida desde junho de 2004. A maioria dos soldados dessa missão de paz é brasileira, nacionalidade mais aceita pelos haitianos, por acreditarem que ambos são “vítimas” da colonização, de acordo com Ishi. No país, os brasileiros trabalham para cumprir o principal desafio: a instauração de paz e democracia. No entanto, embora enfrentem dificuldades que vão desde a coleta de lixo, a qual não é realizada no país, até o apaziguamento de conflitos entre gangues, não há um fiel retrato disso mostrado pela mídia. A cobertura feita pelos veículos de comunicação deixa a desejar inclusive na investigação do que acontece com o dinheiro que vai para o Haiti, tema que deveria ser de extremo interesse mundial.
Há inúmeras discussões, principalmente na ONU, acerca do respeito aos direitos humanos. Mas quem se preocupa com os haitianos e seus direitos? Educada por meio de um sistema arcaico, em que se pode usar violência para castigar alunos, a população haitiana somente recebe dinheiro de seus parentes que trabalham nos Estados Unidos. A mão-de-obra, no Haiti, é muito barata e a jornada de trabalho, alta. Vivem em um país onde não há mais floresta e portanto, há escassez de água. O povo pede dinheiro à ONU, cujos investimentos em programas como a UNESCO e UNICEF são indiretos e muitas vezes, não saem do papel. Segundo Reis, o povo é preguiçoso e o país, cinza.

Kawaguti, um dos poucos jornalistas que se interessaram de fato pela situação haitiana, declara, “Pouca gente sabe o que vai ser do Haiti”. A afirmação do jornalista, cuja obra concorre ao prêmio Jabuti, é alarmante. Não há dúvidas de que os soldados da MINUSTAH esforçam-se para ajudar a reconstruir o decadente país. Contudo, a falta de perspectiva no que diz respeito a seu futuro deveria preocupar o mundo inteiro e não somente quem presencia os conflitos bélicos e o cheiro de urina que se inala nas ruas.
Quando indagado para onde iria o Haiti, Odival Reis respondeu, “Para onde qualquer povo que não cuida do país vai. Para o fundo do poço.” Se não houver interesse mundial, os haitianos não farão nada além de esperar o cumprimento do prognóstico de Reis.
2 comentários:
O país é cinza porque o povo de lá tem cada vez menos autonomia nas suas decisões. Soluções internacionais não são suficientes.
É tudo culpa do sistema!
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