
Tropicalismo - 40 anos
Onde o movimento está presente na sua vida?
Foi no ambiente ultranacionalista do fim da década de 60, que perigava fazer regredir a produção cultural autêntica brasileira, que um grupo de artistas, utilizando-se da Antropofagia herdada dos modernistas na década de 20, resolveu sacudir o mundo da música, teatro, artes plásticas e cinema.
Na música, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé, Os Mutantes, Gal Costa e o maestro Rogério Duprat misturaram num liquidificador estilos da música regional brasileira, ícones da música erudita, elementos do pop rock inglês e americano e até música considerada brega. O resultado foram canções com arranjos que, ao mesmo tempo, apresentavam a guitarra elétrica e introduziam orquestras ao rock.
Tudo devidamente comido e digerido nos moldes atropofágicos de Oswald de Andrade – a bossa nova, que se perpetuava como a música intocável da burguesia carioca, e a Jovem Guarda, que apenas fazia versões de canções estrangeiras, estavam com os dias contados para a chegada de uma nova série de canções autênticas e inventivas. Baby, Tropicália, Bat Macumba e outras tantas imprimiram a marca Tropicalista na música popular produzida no Brasil.
A poesia concreta dos irmãos Campos e Décio Pignatari logo se identificou com o movimento. José Celso Martinez Corrêa montou um versão para O Rei Da Vela, de Oswald de Andrade, e levou os elementos do Tropicalismo ao teatro. O Cinema Novo representou o país de uma forma nova, rompendo o estilo clássico e influenciano até a Nouvelle Vague francesa.
Nas artes plásticas, cores, novas formas e tipos incorporados da publicidade, além de e um exagero no uso de elementos brasileiros marcaram a época. Helio Oiticica inspirou o nome do movimento com sua criação Tropicália.No começo dos 70, Caetano e Gil saíram para o exílio – o movimento, e a atitude ligada a ele, foram vistos como subversivos pelo regime militar. E o Tropicalismo então se tornou herança forte na arte brasileira até hoje.

De dez anos para cá o mundo redescobriu o Tropicalismo: em Nova York nunca se vendeu tanto material de Caetano, Gal e Gil. Artistas como Morcheeba, David Byrne e Beck regravaram canções tropicalistas e reverenciam o movimento.
No Brasil, o Mangue Beat, Carlinhos Brown, Pato Fu e Arnaldo Antunes são apenas alguns dos artistas empregnados pelo espírito tropicalista.
E você, já pensou onde o Tropicalismo está presente na sua vida?
Para tentar responder a essa pergunta, o BandDebate tem a honra de receber:

Péricles Cavalcanti – Cantor e compositor. Morou em Londres com Caetano e Gil, quando desistiu da faculdade de filosofia que cursava em Paris. Segundo Caetano, a delicadeza e generosidade de Péricles aparecem tanto quando ele “acolheu o temário da contracultura, abandonando um futuro acadêmico brilhante, quanto nas gravações que vem realizando sempre especialíssimas, sem pressa e sem pretensão”.
É parceiro e teve canções gravadas por Caetano Veloso, Arnaldo Antunes, Cássia Eller, Gal Costa, Gilberto Gil, RPM, Adriana Calcanhoto, entre outros. Seu mais recente trabalho é o CD “O Rei da Cultura”.

Irineu Franco Perpétuo – Jornalista e crítico de música erudita e ópera da Folha de S.Paulo e revista Bravo. É autor de “Populares & Eruditos” (Editora Invenção). Recentemente traduziu do russo obras de A.S.Púchkin (Pequenas Tragédias e Boris Godunov – Editora Globo).

Carlos Fernando – Cantor membro da extinta banda paulistana de jazz Nouvelle Cuisine. Carlos Fernando participou do primeiro disco de Marisa Monte (MM) e tem espalhado seu talento em shows que interpreta standards da música americana.
1 comentários:
Animal!
O Cultural está de parabéns pela promoção e principalmente por ter promovido grande debate entre os convidados.
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