segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Estudantes realizam cobertura do BandDebate

O primeiro BandDebate contou com a cobertura de alguns estudantes de humanas, que produziram textos e fotos sobre os convidados de "Pra onde vai o Haiti?".

Confira:

Quem se interessa por um país cinza?

Texto: Juliana Kalil Gragnani
Fotos: Camila Mel



Dinâmico, como não poderia deixar de ser com a presença de jovens, a primeira edição do BandDebate teve o Haiti como tema abordado. Na sexta-feira, dia 17, os convidados Ricardo Ishi, ex-aluno do Band e médico voluntário da ONU no Haiti, Luiz Miguel Kawaguti, jornalista e autor do livro A República Negra, além de Odival Reis, fotógrafo, cujo trabalho ilustra o livro de Kawaguti, responderam a pergunta “Para onde vai o Haiti?”, além das várias outras indagadas por alunos do Band.

País mais pobre das Américas, o Haiti recebeu as tropas da MINUSTAH, operação de paz da ONU estabelecida desde junho de 2004. A maioria dos soldados dessa missão de paz é brasileira, nacionalidade mais aceita pelos haitianos, por acreditarem que ambos são “vítimas” da colonização, de acordo com Ishi. No país, os brasileiros trabalham para cumprir o principal desafio: a instauração de paz e democracia. No entanto, embora enfrentem dificuldades que vão desde a coleta de lixo, a qual não é realizada no país, até o apaziguamento de conflitos entre gangues, não há um fiel retrato disso mostrado pela mídia. A cobertura feita pelos veículos de comunicação deixa a desejar inclusive na investigação do que acontece com o dinheiro que vai para o Haiti, tema que deveria ser de extremo interesse mundial.

Há inúmeras discussões, principalmente na ONU, acerca do respeito aos direitos humanos. Mas quem se preocupa com os haitianos e seus direitos? Educada por meio de um sistema arcaico, em que se pode usar violência para castigar alunos, a população haitiana somente recebe dinheiro de seus parentes que trabalham nos Estados Unidos. A mão-de-obra, no Haiti, é muito barata e a jornada de trabalho, alta. Vivem em um país onde não há mais floresta e portanto, há escassez de água. O povo pede dinheiro à ONU, cujos investimentos em programas como a UNESCO e UNICEF são indiretos e muitas vezes, não saem do papel. Segundo Reis, o povo é preguiçoso e o país, cinza.



Kawaguti, um dos poucos jornalistas que se interessaram de fato pela situação haitiana, declara, “Pouca gente sabe o que vai ser do Haiti”. A afirmação do jornalista, cuja obra concorre ao prêmio Jabuti, é alarmante. Não há dúvidas de que os soldados da MINUSTAH esforçam-se para ajudar a reconstruir o decadente país. Contudo, a falta de perspectiva no que diz respeito a seu futuro deveria preocupar o mundo inteiro e não somente quem presencia os conflitos bélicos e o cheiro de urina que se inala nas ruas.

Quando indagado para onde iria o Haiti, Odival Reis respondeu, “Para onde qualquer povo que não cuida do país vai. Para o fundo do poço.” Se não houver interesse mundial, os haitianos não farão nada além de esperar o cumprimento do prognóstico de Reis.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

O Brasil dá as cores, mas o Haiti é que deve pintar



Texto: Fabiana Bastos
Fotos: Camila Mel

Para onde vai o Haiti? Ou melhor, para onde o Haiti quer ir? A situação atual do país é crítica, seu IDH(Índice de Desenvolvimento Humano) encontra-se entre os mais baixos do globo, superior apenas a alguns países do continente africano.

A missão de paz brasileira no território, quinta a ser promovida pela ONU(Organização das Nações Unidas), começa a mostrar os primeiros passos de sucesso.
“O Haiti é um país cinza”, esta foi a declaração de Odival Reis, repórter fotográfico que já viajou duas vezes ao Haiti, durante o BandDebate ocorrido na última sexta-feira, dia 17, no Colégio Bandeirantes.

Se antes, no séc. XVII, o país era um dos grandes exportadores de açúcar e outros produtos tropicais, hoje é um território ocupado pela miséria. Dos 8 milhões de habitantes, 80% está a baixo da linha de pobreza. Dentre o conjunto de problemas que cercam a nação destaca-se a falta de higiene sanitária. Antes da intervenção brasileira, pouco se sabia sobre coleta de lixo; há casos em que os restos alcançavam praticamente três metros de altura.

O cheiro de urina, apesar de extremamente desagradável, tornou-se o odor típico do Haiti atual - seja pela falta de conhecimentos básicos de higiene por parte da população ou pela ausência de um sistema sanitário apropriado. Quase todo o esgoto corre a céu aberto sob temperaturas ao redor de 40ºC – a verdade é que, além do cheiro incômodo, a urina pode desencadear uma série de doenças e epidemias.

A influencia brasileira, contudo, parece estar surtindo efeitos. Outras missões de paz tentaram ajudar o país, mas pouco conseguiram de fato. A missão do Brasil difere-se das outras, pois é a primeira multilateral. Os objetivos das missões de paz enviadas pela ONU sempre foram de garantir que a paz, já alcançada, fosse mantida, no entanto no caso particular do Haiti ocorreu que a paz ainda não havia sido estabelecida.



Forças militares, no primeiro momento que tiveram de enfrentar uma situação crítica, perceberam que seus treinamentos pouco adiantariam naquele instante. O Brasil, com isso, investiu em uma série de mudanças nas instruções dadas aos militares, para que assim conseguissem se adaptar, de uma maneira mais próxima, à realidade haitiana. Entre as conquistas brasileiras, está a pacificação de duas das maiores favelas do território, na qual foi utilizada uma nova técnica de “pontos fortes”, ou seja, tinham a meta de obter lugares influentes e através deles aumentar o número de patrulhas pelo ambiente, fazendo com que a criminalidade migre.

A ajuda brasileira promove benefícios ao povo do Haiti, todavia é preciso que este perceba quem é o verdadeiro responsável para garantir o futuro do país: a própria população haitiana. É evidente que a ONU fornecerá toda a ajuda possível, mas é preciso que os haitianos lutem por aquilo que lhes foi tirado, como comida, saúde, educação e, principalmente, lutem pela vida.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Pra onde vai o Haiti?

“A união faz a força” é o irônico lema de um país devastado por interesses indivuais desde a chegada dos primeiros colonizadores no século XV. O Haiti é hoje uma praça de guerra: destruída e pobre, pela qual passaram mais de 20 governantes desde sua independência, dentre eles Papa Doc e Jean-Bertrand Aristide.

O Brasil lidera uma missão de paz que parece de objetivo inatingível: se esquiva de 11 mil tiros por mês e realiza cerca de 1000 prisões por ano. Mas, afinal, democracia, desenvolvimento socio-economico e paz serão realidades possíveis no Haiti?

Para conversarmos sobre a questão, Band Debate convida:

Ricardo Ishi – Ex-aluno do Bandeirantes, formado em Medicina pela USP-Ribeirão, resolveu ser voluntário no Exército Brasileiro e posteriomente, também como voluntário, serviu como oficial médico na missão de paz da ONU. Por todo esse espírito desbravador, vontade de ajudar os outros e experiência de 6 meses vividos no Haiti, ele será um dos debatedores do BandDebate-Para Onde vai o Haiti?

Luiz Miguel Kawaguti – jornalista, esteve quatro vezes no país na cobertura da missão de paz para os jornais O Globo e Diário de São Paulo. Como resultado desse trabalho, publicou A República Negra (Ed. Globo) – livro reportagem finalista do Prêmo Jabuti de Literatura 2007.

Odival Reis – É repórter fotográfico há 12 anos. Passou por diversas publicações da Editora Globo e hoje trabalha no jornal Diário de S.Paulo, onde fotografa para todas as editorias. Em suas reportagens especiais participou de duas viagens ao Haiti. As fotos dessas viagens ilustram o livro "A República Negra".